Posts com a tag ‘o’

Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus. Tempo de absoluta depuração. Tempo em que não se diz mais: meu amor. Porque o amor resultou inútil. E os olhos não choram. E as mãos tecem apenas o rude trabalho. E o coração está seco. Em vão mulheres batem à porta, não abrirás. [...]

Aos Domingos, iremos ao jardim. Entediados, em grupos familiares, Aos pares, Dando-nos ares De pessoas invulgares, Aos Domingos iremos ao jardim. Diremos nos encontros casuais Com outros clãs iguais, Banalidades rituais Fundamentais. Autómatos afins, Misto de serafins Sociais E de standardizados mandarins, Teremos preconceitos e pruridos, Produtos recebidos na herança De certos caracteres adquiridos. Falaremos [...]

Amor é um fogo que arde sem se ver, é ferida que dói, e não se sente; é um contentamento descontente, é dor que desatina sem doer. É um não querer mais que bem querer; é um andar solitário entre a gente; é nunca contentar-se de contente; é um cuidar que se ganha em se [...]

Derruba uma floresta esmaga cem Homens, Mas tem um defeito – Precisa de um motorista O vosso bombardeiro, general É poderoso: Voa mais depressa que a tempestade E transporta mais carga que um elefante Mas tem um defeito – Precisa de um piloto. O homem, meu general, é muito útil: Sabe voar, e sabe matar [...]

Hoje apetece-me o silêncio das casas assombradas com sangue nas janelas… sangue, sangue que jorra das feridas abertas como bocas escancaradas… Noite. Pavor. Esquecimento. Silêncio… gritos amordaçados que calam a noite.   Grande abraço. Horácio Almeida. // // // // // // //

Que nenhuma estrela queime o teu perfil Que nenhum deus se lembre do teu nome Que nem o vento passe onde tu passas. Para ti criarei um dia puro Livre como o vento e repetido Como o florir das ondas ordenadas. Horácio Almeida.

Custa tanto saber o que se sente quando reparamos em nós!… Mesmo viver sabe a custar tanto quando se dá por isso… Falai, portanto, sem repardes que existis… … Quem pudesse gritar para despertarmos! Estou a ouvir-me gritar dentro de mim, mas já não sei o caminho da minha vontade para a minha garganta. Horácio [...]

Assim eu quereria o meu último poema. Que fosse terno dizendo as coisas mais simples e menos intencionais Que fosse ardente como um soluço sem lágrimas Que tivesse a beleza das flores quase sem perfume A pureza da chama em que se consomem os diamantes mais límpidos A paixão dos suicidas que se matam sem [...]

Nunca o verão se demorara assim nos lábios e na água – como podíamos morrer, tão próximos e nus e inocentes? Horácio Almeida.

Deus quer, o homem sonha, a obra nasce. … Cumpriu-se o Mar, e o Império se desfez. Senhor, falta cumprir-se Portugal! Horácio Almeida.